Conferência de abertura

Mediadora: Lenira Haddad (UFAL)
Conferencista: Maria Assunção Folque (Universidade de Évora)

A formação de educadores/as de infância: a experiência do Mestrado Profissional da Universidade de Évora – Portugal

Maria Assunção Folque (Universidade de Évora)

A formação dos professores da educação infantil (educadores de infância em Portugal) é um campo teórico e prático, crucial para uma intervenção potenciadora da qualidade de vida das crianças, das suas famílias e comunidades. Em países em que a educação de infância é, ainda, um campo com pouco estatuto social e profissional, esta formação assume uma enorme responsabilidade, procurando responder a uma encomenda exigente e altamente complexa. Nesta conferência apresentarei, numa primeira parte, uma análise da trajetória da formação dos educadores de infância em Portugal contextualizada nas politicas de educação e cuidados para a infância. Numa segunda parte da comunicação irei incidir sobre o perfil de profissional que se procura formar na Universidade de Évora enquadrado no Perfil de desempenho profissional definido a nível nacional (DL240/2001 & DL 241/2001). A terceira parte será dedicada à explicitação dos fundamentos teóricos e pedagógicos que permeiam a formação inicial dos/as educadores/as de infância na UE: 1) uma formação centrada na construção de saberes profissionais requerendo um diálogo permanente entre a Universidade e os profissionais dos contextos educativos; 2) uma formação que promova um enriquecimento cultural sustentado e o domínio de diversas linguagens, participando em diversos contextos da UniverCidade; 3) uma formação em que os/as estudantes se assumam enquanto cidadãos/ãs participantes na sua formação e também na sua profissão (futura) integrados em comunidades de aprendizagem colaborativa (Comissão Europeia 2015); 4) o isomorfismo pedagógico (Niza, 2009) que significa fazer experimentar na formação os processos de aprendizagem que esperamos que se desenvolvam com as crianças nos contextos educativos. É nesta linha que fazemos do trabalho por projetos de produção de obras culturais (Bruner, 1996), de pesquisa científica e de intervenção social uma estratégia processual privilegiada ao longo de toda a formação. Por último, realçamos o papel da escrita socializada enquanto instrumento de construção e afirmação profissional ao permitir saber “dizer a profissão” – o que fazem, como fazem e porque fazem - baseado em processos investigativos que conferem cientificidade ao seu trabalho e promovem a qualidade das práticas profissionais.