Mesa redonda 3: Arte e as linguagens expressivas na formação inicial

Mediador: José Acioli da Silva Filho (ICHCA/UFAL)

Debatedoras: Isabel Bezelga (Universidade de Évora), Luciana Esmeralda Ostetto (UFF), Ana Paula Araújo Feitosa de Menezes (Coordenadora Pedagógica da Creche Rosane Collor/ SEMED).

Brincar, fruir, experimentar: a educação artística na formação de educadores da Universidade de Évora

Isabel Bezelga (Universidade de Évora)

Nesta comunicação pretende-se apresentar e discutir o espaço e estatuto que a educação artística tem na formação de educadores, nomeadamente no desenho curricular da Licenciatura em Educação Básica e Mestrado em Educação Pré-Escolar da Universidade de Évora. Discutir-se-á a perspectiva de formação assente na necessidade de imersão nos processos de criação como condição para o desenvolvimento das práticas expressivas/artísticas dos alunos. Só dessa forma será possível entender o campo artístico como forma de pensar, interpretar, questionar o mundo e a vida, levando a proposições desafiadoras de Educação Artística no contexto da Infância. A urgência de revitalizar as práticas de educação artística, salientando o contributo das boas práticas e da articulação com agentes e instituições artísticas possibilitando o envolvimento precoce nas práticas de criação artística e o reconhecimento das suas múltiplas linguagens. A perspectiva que aqui se fundamenta está intrinsecamente vinculada ao desenvolvimento projectual, no sentido da promoção de processos de experimentação e descoberta, similares aos decorrentes da criação artística contemporânea, nomeadamente no que decorre do envolvimento do corpo que pensa, numa modalidade de cocriação reflexiva e em permanente negociação entre todos os participantes.

Palavras Chave: Educação artística/processos participativos/ experimentação e fruição artísticas /cocriação


Formação docente, educação infantil e arte: entre faltas, necessidades e desejos

Luciana Esmeralda Ostetto (UFF)

Considerando que a legislação educacional brasileira – Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia, Licenciatura/2006, e Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil/2009 – prevê a inclusão da arte nos processos educativos desde a infância, pergunta-se: a arte está na Pedagogia? Como ela está? Por que pensar a arte nos cursos de formação docente para a Educação Infantil? Essas indagações impulsionam a reflexão sobre a presença e as formas de inserção da arte nos cursos de Pedagogia no Brasil. Se, por um lado, a inclusão de princípios estéticos nas diretrizes reafirma a necessidade de desenvolvimento e aprendizagens dos aspectos lúdicos e das linguagens expressivas na formação docente, por outro lado alguns dados de pesquisas indicam a localização periférica da arte nos currículos, quando não sua total ausência. O tempo presente está a exigir professoras e professores criativos, brincantes, com repertório cultural amplo, capazes de identificar e acolher os modos próprios de ser e expressar o mundo de meninos e meninas na Educação Infantil. Nesta direção, puxando e articulando fios das determinações legais, das pesquisas, das experiências e exigências da prática, pretende-se dar visibilidade a elementos que nos ajudem a pensar e a tecer processos formativos mais poéticos, que dialoguem com o ser poético que é a criança. Discute-se, por fim, a necessidade de se projetar cursos de formação docente tramados pela experimentação, pela possibilidade e liberdade do movimento, da expressão, da criação; que garantam espaço-tempo para o cultivo da sensibilidade, no contato renovado com o mundo – a natureza, a sociedade, a cultura, a arte –, pelas vias da educação estética.

Crianças, expressões artísticas e aprendizagens

Ana Paula Araújo Feitosa de Menezes (Coordenadora Pedagógica da Creche Rosane Collor/ SEMED)