Mesa redonda - Eixo 4: A escuta das crianças e a formação do(a) professor(a) de educação infantil

Mediadora: Renata da Costa Maynart (GPEIDH/UFAL)

Debatedoras: Kátia Adair Agostinho (UFSC), Maria Isabel Pedrosa (UFPE), Bruna Ribeiro (doutoranda da FEUSP) , Mônica Samia (Avante)


A educação infantil no encontro com a infância

Kátia Adair Agostinho (UFSC)

O reconhecimento da especificidade da docência na Educação Infantil tem nos levado cada vez mais a enfrentar o desafio de escutar as crianças, em uma perspectiva de docência que constituí-se nas relações sociais entre os sujeitos que dela participam e possuem determinações socio-históricas específicas que circunscrevem a própria natureza do trabalho docente. Esta compreensão nos convoca ao aprofundamento de quem são as crianças e as infâncias para pensarmos a formação e as práticas para elas voltadas, a partir de um conjunto de saberes que as respeitem em suas especificidades geracionais, cruzadas com as outras categorias sociais, e que incorporem as suas contribuições enquanto crianças. A Educação Infantil assume, assim, um caráter educativo pedagógico próprio noencontro com a infância.

Escutar a criança e compreendê-la no enredo de suas relações sociais

Maria Isabel Pedrosa (UFPE)

Escutar crianças pequenas exige do educador infantil habilidades e competências que vão além do “simples ouvir” o que falam. Na maioria das vezes, as crianças expressam necessidades, desejos, concepções sobre si próprias e sobre o outro, sobre diferentes situações e objetos sociais etc., por meio de suas ações e expressões que precisam ser interpretadas. A tarefa de escuta utiliza-se de um conjunto de indícios contextuais bem como exige confrontação de comportamentos individuais e coletivos; ao mesmo tempo, exige articulação com conhecimentos sobre criança, infância e desenvolvimento humano, de modo a se apreender a significação do que se passa no aqui e no agora, e se possa também reinterpretar o que já vinha se configurando no enredo coletivo, com o intuito de projetar intervenções pedagógicas adequadas e relevantes para elas. Ações individuais são compreendidas, não em oposição ao empreendimento coletivo, mas, ao contrário, são tomadas como parte integrante do campo interacional e, portanto, auxiliam a compreensão do que, em conjunto, querem dizer, bem como permitem alçar a singularidade do que cada uma quer expressar e compartilhar.


A escuta de bebês e crianças pequenas em pesquisa e avaliações: ampliando o olhar

Bruna Ribeiro (doutoranda da FEUSP)

A infância no imaginário coletivo continua confinada aos pequenos mundos, sem articulações com a economia, ciência, política por isso se torna imperativo caminharmos no sentido de construirmos, cada vez mais, estudos, pesquisas e avaliações com e não somente sobre a criança, pois o que elas nos falam através de suas diferentes linguagens pode colaborar com importantes tomadas de decisões a favor da criança e de seus direitos fundamentais.

Palavras chave: protagonismo infantil, participação, escuta de crianças.


A escuta de crianças como dispositivo de formação

Mônica Samia (Avante)

Esta apresentação tem como objetivo dialogar sobre a relevância de aprender a escutar crianças na constituição da profissionalidade docente, considerando os construtos que defendem a Educação Infantil como espaço de desenvolvimento e aprendizagem, onde a criança tem um papel protagonista e ativo. Para tanto, urge desenvolver este tipo de atitude nos profissionais, para fundar uma “nova” profissionalidade e fortalecer a escola como espaço de vida, carregado de sentido para as crianças, fortalecendo suas potencialidades e sua capacidade de aprender. As narrativas de campo da tese de doutorado “Diálogos formativos: singularidades nas experiências de formadores da educação infantil” (2016) sobre a constituição da profissionalidade de formadores que atuam na educação infantil, revelam os efeitos de experiências de escuta de crianças nos formadores que participaram da pesquisa e apontam esta atitude como fundamental para a formação docente e dos formadores. Em síntese, advoga-se que a escuta de crianças seja reconhecida como dispositivo de formação, não somente como uma estratégia metodológica nos processos formativos, mas como um elemento constituinte da profissionalidade docente, por ser esta uma condição de quem educa.